A escora metálica é o equipamento usado para sustentar lajes e vigas durante a fase de concretagem e cura, período em que o concreto ainda não tem resistência própria para se sustentar sozinho.
Também chamada de pontalete metálico ou escora para laje, ela é fabricada em tubos de aço e substitui o pontalete de madeira em obras que exigem regulagem de altura, maior capacidade de carga e reaproveitamento em vários ciclos de concretagem.
Neste conteúdo você vai entender o que é a escora metálica, como ela funciona no escoramento de laje, quais são os tipos, a diferença em relação ao pontalete de madeira e o que considerar ao dimensionar o escoramento de uma obra.
O que é escora metálica?
A escora metálica é fabricada geralmente em aço SAE 1020, usada como suporte provisório de fôrmas em lajes, vigas e outros elementos estruturais de concreto armado. Ela funciona em conjunto com o sistema de fôrmas: enquanto a fôrma dá o formato ao concreto, a escora sustenta o peso da estrutura até que o concreto atinja resistência suficiente para se autossustentar.
O corpo é composto por dois tubos concêntricos (um tubo externo e um tubo interno) unidos por um sistema de regulagem com pino e rosca. Essa construção possibilita ajustar a altura da escora dentro de uma faixa de trabalho.
Diferente do pontalete de madeira, cortado sob medida para cada altura, a escora metálica é reutilizável em dezenas de obras, resiste a cargas maiores e mantém a capacidade estrutural ao longo do tempo, desde que armazenada e utilizada conforme as recomendações do fabricante.
Como referência de mercado, uma escora regulável de 2m a 3,2m em aço SAE 1020 costuma ter capacidade de carga em torno de 1.500 kg na posição fechada e 600 kg na posição totalmente aberta, com tubo externo de 50,8mm e tubo interno de 42,2mm. Vale lembrar que esses valores mudam conforme o fabricante e o modelo.
Para que serve no escoramento de laje
No escoramento de laje, a função da escora metálica é resistir e transmitir para o piso ou para a base de apoio todas as cargas geradas durante a concretagem: o peso próprio do concreto fresco, o peso da fôrma, a movimentação dos trabalhadores e dos equipamentos usados no lançamento do concreto.
Essa sustentação precisa durar até que a laje atinja resistência para se sustentar sozinha, processo conhecido como cura do concreto. A retirada do escoramento antes do tempo está entre as causas mais comuns de acidentes estruturais em obras residenciais e comerciais.
Além da laje, a escora metálica também é usada no escoramento de vigas, no reforço de lajes existentes e em obras de reescoramento, quando uma estrutura já concretada ainda não tem capacidade de resistir sozinha às cargas do pavimento seguinte.
Afinal, é escora metálica ou estronca?
A escora metálica é comercializada com nomes diferentes dependendo da região e do fornecedor. O nome mais técnico e mais usado é escora metálica regulável (ou escora telescópica), mas o mesmo equipamento também aparece no mercado como estronca ou estronca metálica.
É importante entender que existem esses nomes, porque alguns fabricantes, entre eles a IW8, também usam “estronca metálica” como nome de produto para sistemas de proteção de periferia, e não ao escoramento vertical de laje.
Estronca (ou escora pontual)
No mercado da construção civil, estronca é usada, na maioria das vezes, como sinônimo de escora metálica ou pontalete metálico para escoramento de laje, sendo que é o mesmo equipamento, o que muda é o nome regional diferente.
É por isso que se você buscar por “estronca de ferro para laje” e se deparar com indicações do mesmo tipo de produto tratado neste conteúdo, saiba que está certo — claro, o que muda é o material utilizado para fabricar o equipamento.
Acessórios: forcado, cruzeta, viga mista, tripé
O escoramento metálico raramente funciona com a escora sozinha. Um conjunto de acessórios completa o sistema e garante estabilidade à estrutura provisória:
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Forcado: cabeçal fixado no topo da escora, usado para apoiar vigas de madeira ou metálicas que sustentam a fôrma. Existe em versão simples e dupla, fixa ou regulável;
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Cruzeta: elemento de travamento horizontal, instalado entre escoras para evitar deslocamento lateral e aumentar a estabilidade do conjunto, principalmente em escoramentos com altura elevada;
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Viga mista: perfil usado como longarina de apoio entre as escoras e a fôrma, que distribui a carga de forma mais uniforme sobre um vão maior;
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Tripé: base de apoio usada para dar estabilidade à escora em terrenos irregulares ou quando não há piso definitivo para apoiar o pé da escora.
E como escolher certo cada acessório? Isso vai depender do vão, da altura e da carga prevista para o escoramento, definidos no projeto estrutural da obra.
E qual a função do aprumador de pilar?
O aprumador de pilar é outro equipamento da família dos escoramentos metálicos, mas com função diferente: ele não sustenta laje, e sim mantém pilares e estruturas verticais na posição correta (aprumados) durante a concretagem, o que corrige desalinhamentos antes que o concreto endureça.
Essa diferenciação importa porque é comum confundir os dois equipamentos na hora da compra, principalmente em obras que usam os dois ao mesmo tempo: escora para a laje e aprumador para o pilar que sustenta essa laje.
Escora metálica x pontalete de madeira
A comparação entre escora metálica e pontalete de madeira aparece com frequência na fase de planejamento da obra, principalmente em orçamentos que buscam reduzir custo inicial.
O pontalete de madeira tem menor custo de aquisição, mas perde valor com o uso: corta, racha, empena e, na maioria das obras, não é reaproveitado no mesmo estado após dois ou três ciclos de concretagem.
Já a escora metálica tem custo de compra mais alto, mas é reutilizável por muito mais tempo, com capacidade de carga conhecida e regulagem de altura sem a necessidade de cortar a peça para cada pé-direito.
Para obras pontuais e de pequeno porte, o pontalete de madeira ainda é usado. Para obras com repetição de pavimentos, prazos apertados e exigência de laudo técnico, a escora metálica tende a ser a opção mais previsível, tanto em custo por ciclo quanto em segurança.
Como dimensionar o escoramento de laje
O dimensionamento do escoramento de laje não é feito por estimativa de obra ou por experiência isolada do encarregado. Ele depende de um projeto específico, elaborado por profissional habilitado, que considera:
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O vão e a espessura da laje a ser concretada;
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A carga permanente e a sobrecarga de construção;
A ação do vento, quando aplicável à estrutura provisória;
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A capacidade de carga da escora na posição de trabalho (fechada ou aberta) que o pé-direito exige;
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O espaçamento entre escoras, definido em função do vão e da carga calculada.
Esse projeto resulta em um memorial de cálculo, documento técnico que comprova que o escoramento especificado suporta as cargas previstas para aquela obra.
Se repetir o mesmo espaçamento entre escoras em obras diferentes, sem recalcular carga e vão para cada caso, deixa o escoramento sem essa comprovação técnica. Isso pode gerar uma estrutura subdimensionada quanto uma estrutura superdimensionada, com escoras a mais do que a obra precisa.
Na prática, isso significa que duas obras com a mesma altura de pé-direito podem exigir espaçamentos de escoramento completamente diferentes, dependendo da espessura da laje, do tipo de concreto usado e da velocidade de concretagem prevista no cronograma.
NR-18, ART e memorial de cálculo
Do ponto de vista legal e técnico, o escoramento de laje envolve duas frentes diferentes, que se cruzam:
• NR-18: norma regulamentadora de segurança do trabalho na construção civil, já exige que o projeto das fôrmas e escoramentos seja elaborado por profissional legalmente habilitado, além de tratar das condições de montagem, desmontagem e uso do escoramento em obra, com foco na segurança dos trabalhadores.
• Cálculo técnico da estrutura de escoramento em si (carga, vão e capacidade): segue a norma técnica brasileira de fôrmas e escoramentos para estruturas de concreto, que resulta em um memorial de cálculo comprovando a capacidade da estrutura provisória para as cargas previstas na obra.
Em ambos os casos, a exigência de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) não vem de uma norma específica de escoramento, mas da legislação que regula o exercício profissional da engenharia no Brasil: sempre que um profissional habilitado assina um projeto técnico, a ART é obrigatória.
A definição do escoramento adequado para cada obra é responsabilidade desse profissional, considerando as características da estrutura.
Conclusão
A escora metálica é hoje o padrão de escoramento de laje em obras que exigem previsibilidade de custo, segurança e reaproveitamento de equipamento ao longo de várias etapas da construção. A diferença entre escora regulável e estronca, o uso correto de cada acessório e o dimensionamento técnico da estrutura são fatores que impactam diretamente o cronograma e a segurança do canteiro.
Se a sua obra está na fase de planejamento do escoramento, o próximo passo é levar essas informações para o profissional responsável pelo projeto estrutural, que vai definir o tipo de escora, o espaçamento e a quantidade necessária para cada laje. As especificações técnicas erradas nessa etapa custam mais caro depois, seja em retrabalho, seja em atraso de cronograma.
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Perguntas frequentes
O que é escora metálica?
A escora metálica é um equipamento tubular telescópico, fabricado em aço, usado para sustentar lajes, vigas e outras estruturas de concreto durante a fase de concretagem e cura, até que o concreto ganhe resistência para se autossustentar.
Qual a diferença entre escora e estronca?
Não existe diferença, pois estronca é um sinônimo regional de escora metálica ou pontalete metálico para escoramento de laje.
A escora metálica precisa de ART e memorial de cálculo?
Sim. O projeto de escoramento deve ser elaborado por profissional habilitado, com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e memorial de cálculo que comprove a capacidade da estrutura provisória para as cargas previstas na obra.
Quanto tempo a laje precisa ficar escorada?
O prazo de escoramento varia conforme o tipo de cimento, a temperatura, a espessura da laje e o vão entre apoios, e deve ser definido no projeto estrutural. A retirada do escoramento antes do prazo prejudica a capacidade da laje de suportar carga sozinha, com risco real de colapso.
A escora metálica pode ser reutilizada?
Sim. Diferente do pontalete de madeira, a escora metálica é fabricada para uso repetido em várias obras, desde que armazenada corretamente e inspecionada antes de cada nova utilização, verificando desgaste, empenamento e funcionamento do sistema de regulagem.